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Na Natureza Selvagem: A verdadeira Liberdade...

por Camila Jardim, 19 de ago. de 2010

Comecei a ver esse filme sem nenhuma perspectiva, nem expectativas, não havia lido a sinopse e muito menos sabia que era baseado em uma história real, não sabia que tinha direção de Sean Penn e Emile Hirsch como protagonista. No máximo percebi que praticamente todos que viram gostaram, e pra meu deleite também se tornou imediantamente um dos meus filmes favoritos!

Assim que entendi a história que "Na Natureza Selvagem" abordava, lembrei imediatamente de dois amigos que conheci na Ilha do Mel, no ano passado, quando eu e duas amigas fomos viajar na loucura, sem saber bem como chegar, como era o lugar, e o que iriamos encontrar.

Nessa Ilha passamos três dias de aventura, onde conhecemos esses dois garotos, que assim como Christopher queriam se conectar mais com a natureza, com seu lado "selvagem". Ouviamos atentamente suas histórias e filosofias, e ficamos encantadas com a coragem de largar tudo -casa,emprego,amigos- e ir morar naquela ilha, onde despunham de uma "casinha na árvore", duas pranchas, e muita criatividade. Como eles mesmos diziam: "Queremos viver de luz."

Alguns podem pensar que isso é papo de louco, mas pelo contrário, dois caras inteligentes, com formação universitária, dinheiro, além de bonitos. Mas o que eles queriam mesmo, era se desapegar do materialismo e viver intensamente o que a natureza pode proporcionar. Uma vida simples, porém feliz e cheia de aventuras.

Mas é óbvio que não eram como Christopher num todo, mas sim, na essência. Nada tão radical quanto Chris fez, aliás, eles tinham ótimas idéias de como ganhar uma grana pra se manter lá, e ainda vão, vez ou outra, visitar amigos e familiares. Mas isso já é outra história.

Emile Hirsch é um grande ator, considero um dos melhores de sua geração. Uma atuação esplêndia como Chris/Alex, onde teve que perder 18 kg pra fazer o personagem. Considero seu melhor papel no cinema, brilhante.

Chris abandona tudo e doa toda sua poupança para a caridade, saindo sem destino pelo mundo. O filme então se divide em cinco capítulos: 1-Aniversário, 2-Adolescência, 3-Virilidade, 4-Família, 5-Obtenção da Sabedoria. Em cada uma dessas partes, Chris passa por diversas situações, vive aventuras incríveis, conhece pessoas e faz verdadeiras amizades, e finalmente se torna Alexander Supertramp.

A fotografia é extraordinária, transmite toda a liberdade sentida pelo personagem e explora bem todas as locações. A trilha sonora é de uma maestria sem tamanho, composta pela genialidade de Eddie Vedder (Pearl Jam). Garantiu a profundidade perfeita que o filme necessitava. Brilhante também é Sean Penn como diretor. Tecnicamente não vi nada que pudesse criticar.

Na Natureza Selvagem é uma adaptação de um livro, que na verdade era o diário de anotações de Chris. Esta história, pelo que li por aí, divide opiniões no mundo todo. Enquanto alguns o veneram como herói, por se livrar das amarras da sociedade e se jogar no mundo sem um tostão no bolso, muitos o acham estúpido e dizem que foi apenas um garoto rebelde e egoísta.

Eu preciso dizer que me identifiquei de imediato com Chris. Não que eu seja muito parecida com ele. Pelo contrário, Chris é o que eu e muitos gostaríamos de ser. Livre. De todas as maneiras possíveis. Seu amor pelo livros e a incapacidade em fazer o mal., são características marcantes desse cara. Não acho que ele foi rebelde, ele simplesmente não pertencia aquele lugar e precisou dessa jornada para descobrir.

Quem é que não sente vontade de largar tudo? Se sentir livre. Livre te toda essa pressão, das regras impostas pela sociedade, de dizerem como você tem que viver sua vida, de bens materiais significarem mais que caráter. É óbvio que ele quis fugir de tudo, eu também fugiria. Mas tem que ter coragem, força de vontade e claro, um pouco de loucura também. Queimar dinheiro e sair pelo país sem destino não é pra qualquer um.

No final da sua jornada, na sua última aventura que é ir para o Alaska, é mágica e sofrida. Posso dizer que senti todo o tipo de emoção nessa parte do filme. O ônibus que ele encontra na floresta, apelidado de "The Magic Bus", onde viveu por 4 meses, é hoje um ponto turístico de aventureiros. Eu confesso que adoraria tirar uma foto lá.

“Na Natureza Selvagem” é a história de um homem de 22 anos e sua eterna busca, de um lugar e de si mesmo.Largando tudo que lhe era imposto, e fugindo para ser livre. Conhecendo todo um mundo novo, trilhando caminhos e fazendo história. Ao final da caminhada a constatação de que:


"A felicidade só existe quando é compartilhada."

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A Hora do Pesadelo: Outro vilão avacalhado!

por Camila Jardim,

Quem é que não ficava com medo de dormir depois de assistir “A Hora do Pesadelo” pela primeira vez? Ou ficava com medo de desligar a tv e ela continuar ligada, como acontece no terceiro filme? Ou ainda pior, tinha medo de qualquer flamenguista cara com a camiseta listrada? Passei por tudo isso quando eu ainda via filmes de terror escondida, de madrugada, aos 7 anos de idade.

Desde de criança, sempre gostei de um bom filme de terror, e os filmes da época sem os efeitos especiais de hoje, eram bem mais competentes no seu trabalho de assustar. Por isso, antes de mais nada, meus pêsames pra quem gostou do filme sem ter visto os originais. E os que viram e gostaram, eu nem sei o que dizer.

Após o terceiro filme da saga, fica uma coisa mais bagaceira. Partindo do terror pro terrir. Mas isso nunca importou pra mim, até porque, tenho uma queda pelo Freddy. Aquele flamenguista safado, com sarcasmo explodindo por todos os poros virou meu ídolo, junto com o Robert e Wes Craven (The Hills Have e Pânico).

Freddy sempre foi um personagem diferente, no meio daquela onda de slashers. Enquando Michael Myers, Jason e Leather Face distinguiam- se pelas máscaras e armas usadas (não querendo tirar o mérito de nenhum, sou fã de todos), mas sempre achei que o Freddy tinha algo mais. Mesmo a saga de filmes perdendo o rumo, o Krueger nunca decepcionava. Até porque um serial Killer que mata nos sonhos é motivo de medo certo.

Desde o ínício, quando um remake ainda era boato, creio que todos os fãs já imaginaram que alguma bomba estava por vir, ainda mais sem Wes e sem Robert. COMO ASSIM UM FREDDY SEM ROBERT?

Michael Bay produtor do filme, cismou em fazer remakes meia boca dos clássicos do horror, como o Sexta-feira 13. Aliás, porque chama remake se mudam um monte de coisa? Pra mim remake é Quarentena, a versão de Rec, que simplesmente refilmaram, para que os americanos arrogantes não precisassem ler as legendas. Seria menos pior se fizessem um “A Hora do Pesadelo 8”, assim pelo menos eliminariam algumas comparações. Mas fazer o que né? A Merda já foi feita!

“A Hora do Pesadelo de 2010” é um filme meia boca, que aposta nos efeitos especiais, deixando de lado todo o resto. Tem mais furos no roteiro do que queijo suiço. O elenco é simplesmente deprimente.


A nova Nancy é coisa mais sem graça do mundo, a menina é apática e destestável. Katie Cassidy (Harper Island e Melrose Place) era minha esperança de uma boa atuação, mas colocam ela em papel ruim, onde ela não dura nem metade do filme. Acabou indo pro mesmo caminho dos companheiros de elenco.Thomas Dekker (The Terminator) sempre foi péssimo, mas está ainda pior no filme.

Agora o Freddy, que Robert sustentou por tantos anos, criando uma legião de fãs dele e do personagem, é hoje interpretado por Jackie Earle Haley (Watchman). Não importa se ele é bom ou ruim, eu realmente não consegui assistir Watchman sem dormir, mas ele simplesmente NÃO É O FREDDY! E sua maquiagem de cobra humana não ajudou em nada, assim como a voz bizarra. Não convenceu. O personagem marcou pelo seu andar característico, a risada maligna e sarcástica, os palavrões, as piadas pornográficas, isso só o Robert sabe fazer.

A falta de suspense nos sonhos é absurda. Eles dormem o tempo todo, e cena rapidamente muda, tornando óbvio que é um sonho. Nos originais nós e os personagens demoravam certo tempo para perceber que era um sonho. Esse remake não proporciona nenhuma surpresa quando o Freddy aparece.

Tentaram encaixar o Freddy e a história de “A Hora do Pesadelo” nos tempos de hoje. Alteraram detalhes importantíssimos da trama original, como o fato do Freddy ser um serail Killer e não somente um pedófilo. E não tem como humanizar um personagem que mata nos sonhos e tem pacto com o demônio.Ele era um assassino e não somente um velho sem vergonha.

A maquiagem do Freddy é um detalhe a parte. O original da década de 80 é muito mais real e assustadora do que essa pele de cobra do século 21. Mais uma vez apostando na “coisa mais real”, quiseram colocar o mais próximo de uma vítima real de queimadura, mais uma vez, não deu certo.

"A Hora do Pesadelo" 2010, é mais uma porcaria hollywoodiana,que tenta e consegue avacalhar com mais um clássico do gênero.Todos os sustos são óbvios, tirando uma cena ou duas, uma piada ou duas, o filme peca em quase tudo. Um elenco muito mal selecionado com péssimas atuações dos mesmos. Nem a música sinistra do Freddy tem o mesmo efeito nesse filme. Enquanto lotarem as salas de cinema pra ver esse tipo de filme, os remakes continuarão.

Só uma coisa a acrescentar: FREDDY IT´S TRULY DEAD!

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Alice: Mais Que Um Conto De Fadas...

por johnny, 14 de ago. de 2010

Aos 145 anos, Alice está em todo lugar. De carona no blockbuster que Tim Burton preparou para a Disney, a história infantil criada em 1865 pelo escritor Lewis Carroll volta a marcar presença nas livrarias do país em um punhado de formatos e interpretações.

O fascínio que a obra de Lewis Carrol causa é imprescionante, mesmo depois de 145 anos da primeira publicação da sua obra mais conhecida. A saga da garota que despenca em um buraco no jardim e acorda em um mundo fantástico conquista jovens e adultos a cada geração.

Com pitadas de surrealismo e nonsense, Alice se mostra ainda hoje um tema contemporâneo e atraente, defende a professora de literatura da Universidade de São Paulo Maria dos Prazeres Mendes "'Alice no País das Maravilhas' é um clássico", categoriza Maria dos Prazeres, especializada em literatura infantil e juvenil. "[No livro] Carroll constrói uma linguagem inovadora, com marcas imensas de absurdo, que resgata a necessidade de uma adolescente em conhecer-se, adentrar a aventura da descoberta."

Para a professora, é partindo desse ponto comum a todos - a necessidade de se desvendar e entender - que a obra se mantém atraente para todas as gerações. "'Alice' não se equipara a contos de fadas. O efeito cômico, burlesco e popular, explicado em notas, continua atual e universal", garante.

Pop que remete ao clássico:

“É interessante ver que hoje há um caminho inverso ao que era percorrido anteriormente: agora, em vez de um filme ‘vir’ do livro, é o livro que tem seu apelo ressuscitado pelo cinema. Um bom exemplo é a trilogia cinematografica "O Senhor dos Anéis". A produção de Peter Jackson, sucesso estrondoso de público, fez subir as vendas das obras originais de J.R.R. Tolkien e, consequentemente, toda uma geração de leitores descobriram a literatura de uma das obras mais importantes e populares do século XX .

No mundo da música também não é diferente. Quando a banda de rock inglês The Police lançou sua obra prima "Synchronicity", baseado na obra de mesmo nome do psiquiatra austriaco Carl Gustav Jung, as vendas de sua obra aumentaram estrondosamente. A dupla inglesa Tears for Fears, com seu álbum de estréia " The Hurting (1983)", fortemente influenciado pelas teorias psicanalistas - principalmente a do grito primal - impulsionou as vendas das obras do psicanalista estadunidense Arthur Janov.

A obra de Caroll se mostra ainda atraente e contagiante. Com o sucesso do filme, boa parte devido aos talentos do diretor Tim Burtom e sua trupe inseparável - Johnny Depp, Helena Boham Carter e Danny Elfman (este último, responsável pelas trilhas sonoras dos longas de Burtom e autor de um dos maiores hits dos anos 80: "stay"), provavelmente a sua obra será ainda mais difundida, principalmente entre os jovens. O visual impactante do filme, com certeza, ajudará a dispertar a curiosidade de ler o que os olhos já se encantaram.

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A Origem: Uma Experiência Fantástica

por Camila Jardim, 11 de ago. de 2010

A mente humana é sem sombra de dúvidas uma coisa fantástica. A peculiaridade de cada personalidade e a força do instinto primitivo se perde e se encontra como em um encanto. Ao explorar essa força que se rege sozinha temos geralmente grandes histórias com um vasto conteúdo, que atingem a praticamente todos por sua sacada elaborada ou grosseira, mas que em algum momento se prendem a realidade de cada espectador, dando ao filme a força que ele clama.

Quem me conhece sabe que se tem uma coisa que eu não suporto em filmes são aqueles se baseiam praticamente todo seu processo em um sonho. Especificamente aquele tipo que depois de duas horas de trama confusa o fulano acorda, desperdiçando todas as teorias malucas que você imagina na sua cabeça pra matar a charada.

Não que sejam menos interessantes por se tratarem de sonhos, mas é de certa forma, covarde. Sonho não é realidade, logo tudo que acontece nele, não precisa necessariamente de uma explicação, porque afinal, era tudo um sonho. Tudo pode acontecer em filmes como esse, e enquanto nós tecemos uma linha de conspiração para solucionar o mistério, ele simplesmente não existe.

A Origem seria mais um desses filmes que pra mim perderiam o valor exatamente por usar este elemento, mas Christopher Nolan com toda sua genialidade mais uma vez conseguiu me conquistar. O filme consegue unir a mente humana, os sonhos e efeitos especiais magníficos, atingindo praticamente 99,9% dos que assistem pela inteligência e o labirinto criado.

Em um mundo onde a tecnologia está mais avançada e uma máquina de sonhos é criada permitindo que pessoas sonhem juntas e criem todo um mundo novo, Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) se torna mestre na arte de roubar idéias diretamente da fonte usando esta máquina. Enquanto dormimos, nossa mente entra em um estado extremamente vulnerável criando o ambiente perfeito para Cobb penetrar e extrair as idéias, geralmente em missões pagas por alguém. Depois da morte de sua mulher ele se torna um ladrão foragido que permanece em meio a seus devaneios e dúvidas entre realidade e sonho.

O principal problema do personagem é seu passado. Sua já falecida esposa Mal (interpretada pela talentosíssima Marion Cotillard) aparece o tempo todo em seus sonhos, pregando peças no subconsciente de Cobb o tempo todo. Após ser desmascarado em seu ultimo trabalho, Cobb é coagido a aceitar uma proposta totalmente inusitada de sua quase vítima. Saito (Ken Watanabe) oferece ajuda em meio a seus contatos para limpar o nome de Cobb, mas em vez de roubar uma idéia da mente de alguém ele tem que implantar uma. Por mais que o amigo e parceiro Arthur (Joseph Gordon-Levitt) diga que não é possível, Cobb se vê seduzido pela oportunidade de voltar pra casa e rever seus dois filhos e entra de cabeça em uma operação perigosa e desafiadora.

Para isso acontecer ele precisa montar uma nova equipe, assim convence o falsificador Eames(Tom Hardydigam) a se juntar a ele na missão. Eames tem uma grande habilidade de falsificar pessoas. Ao estudar seus trejeitos e personalidade, consegue se materializar em sonho com a aparência do sujeito pretendido. Yusuf (Dileep Rao) é um especialista em “drogas”. O procedimento para sedar os envolvidos no sonho coletivo e faze-los dormir o quanto precisar é responsabilidade dele. Arthur entra com o planejamento da missão e precisa pesquisar minuciosamente o passado e o presente da “vítima” para que a equipe possa criar ilusões com a mínima margem de erros. O elo entre o filme e nós telespectadores é a novata Ariadne (Ellen Page), contratada para o serviço de “criadora de sonhos” após Cobb perder seu Arquiteto.

Por mais que seja confuso em algum momento por ter milhões de informações sendo jogadas na tela a cada segundo, não é completamente absurdo e sem explicação se você parar um segundo pra pensar. Ariadne faz um papel essencial – ou não - no filme, ela está ali pra questionar, gerando explicações sobre tudo o tempo todo. Tirando o final que foi feito pra ter dúvidas, o filme inteiro, ou quase todo, é explicado nos mínimos detalhes.


A quantidade de informações e o ritmo alucinante nos fazem perder coisas básicas e explicadas durante as duas horas e quarenta minutos de projeção. São normalmente descritos todos os processos e as regras. Se prestar atenção, absolutamente nada fica sem uma breve introdução. No final das contas, o que tende a pirar a cabeça é a forma como as mesmas são dadas e o tempo que leva pra processar a informação. Enquanto você tenta entender uma das regras do jogo, a próxima já esta sendo jogada na tela. O que falta é tempo pra assimilar o que lhe foi mostrado.

A Origem é escrito, produzido e brilhantemente dirigido por Christopher Nolan, responsável por pérolas como o fantástico “O Grande Truque”, “Amnésia” e o magnífico “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Nomeado a 42 prêmios, inclusive uma indicação ao Oscar, levou 36 deles pra casa. Mais um filme para consagrar a carreira brilhante de Nolan, que inteligentemente barrou o artifício 3D no filme por achar que distrairia muitas das pessoas, tirando todo o foco da história. Acertou em cheio Sr. Nolan. Parabéns por não aderir a esta moda, que na maioria das vezes não tem propósito algum, mas se pensarmos por um segundo seria no mínimo interessante ver o mundo dos sonhos sendo criado em três dimensões.

A escolha da trilha sonora é surreal, tendo usos diversos durante toda a trama. Por vezes feita pra emocionar, outras para criar tensão e assustar, ela ainda conduz as cenas de ação como se fosse um personagem vivo. Os efeitos especiais são quase reais. Em nenhum momento se percebe qualquer recurso computadorizado, fazendo crer que aquilo realmente foi filmado daquele jeito. Palmas e mais palmas. O filme consegue se tornar fantástico somente pelo efeito que causa em quem assiste, causando êxtase total.

O elenco é escolhido a dedo, tendo como grande parte, rostos conhecidos no mundo inteiro, e a outra parcela dona de um talento absurdo. Leonardo DiCaprio foi a primeira e única escolha do diretor, seu personagem lembra muito Edward Daniels, seu personagem em “A Ilha do Medo”. Definitivamente não é o melhor personagem de sua carreira, mas inevitavelmente irá lhe render muitos frutos.

Nolan ainda considerou interpretar Arthur, mas desistiu devido à falta de compatibilidade de tempo. Ao contrário da jovem Ellen Page, que só foi escolhida em decorrer da desistência de outras atrizes, e que talvez seja o ponto mais fraco do enorme quebra-cabeça que é o filme. Nolan queria Evan Rachel Woods, mas esta não aceitou o papel, o que o fez considerar ainda Emily Blunt, Rachel McAdams e Emma Roberts. Porém, acabou ficando com Ellen, que faz um ótimo trabalho, mas não a altura de seus companheiros.

Tenho que confessar que por poucas vezes achei cansativo e, acredite se quiser, um tanto previsível. Não a história em si, mas algumas cenas. O mundo dos sonhos e do subconsciente é incrível, e nas mãos de Nolan virou quase uma religião. Por mais que alguns considerem o melhor filme da década, fica ainda minha dúvida. Apesar de não conseguir definir nem um top três de favoritos, ainda acho que em “O Grande Truque” Nolan foi melhor. A Origem te ganha em todos os detalhes e é grandioso devido ao imenso elenco estrelado e efeitos especiais de tirar o fôlego. Como antes citei: o complicado fica por conta da velocidade em que a informação chega e não na informação –ou falta dela- em si.

O desfecho do filme deixou todo o cinema de boca aberta e cabeça girando. Eu e um amigo que me acompanhou começamos a formar teorias e descobrir a faceta do filme, criando algumas baseadas nas informações que tínhamos entendido e lembrado. Como li por ai, cada qual acha que entendeu uma coisa, mas seja qual for (tirando a alternativa do meu amigo), o filme termina de forma triunfal.

ATENÇÃO SPOILER – a seguir uma teoria sobre o final do filme, leia por sua conta e risco...

Enquanto meu amigo dizia que tudo não passou de um sonho desde o começo, e que tudo que aconteceu depois é simplesmente fruto da piração do limbo. Já eu, imaginava que tudo foi real até a hora que eles acordam no avião. Cobb e Saito ficaram presos no limbo e o que passou depois foi apenas fruto da projeção dos sonhos. Fato pra mim explicado quando o peão não para de rodar, mas se prestar bem atenção o corte abrupto da cena para o surgimento dos créditos não da o tempo necessário para o peão tombar pro lado, o que gera a grande dúvida de praticamente todo mundo. Afinal ele voltou ou não pra realidade? Dando uma pesquisada achei algo que somente revendo o filme serei capaz de perceber: Cobb só usa sua aliança enquanto sonha, logo o final sem a aliança sugere uma realidade.

Depois de pensar por algum tempo compreendi que a complexidade do final não estava no quando, onde e porque, estava na brilhante idéia de criar um final que agradaria a todos. Pense bem, os otimistas seguidores de finais felizes tipicamente hollywoodianos pode acreditar que o peão poderia ter caído se o filme não tivesse acabado, e que Cobb viveria feliz pra sempre com seus dois filhos. Os mais pessimistas e fanáticos por um final não convencional simplesmente aceitam que o peão continuou rodando indefinidamente, caracterizando que Cobb ficaria pra sempre preso em seu próprio sonho. Não é brilhante?

Mas o que poucos percebem é que o final pouco tem a ver com os sonhos ou a realidade propriamente dita. Se pensar bem o que verdadeiramente marca o incrível final é a mudança do personagem, Cobb passa todo o filme com uma arma apontada pra cabeça enquanto o peão gira, a ponto de se matar imediatamente caso o mesmo não tombe pro lado. Ao deixar o peão rodando e ir ver seus filhos, Cobb se mostra um homem que já não se importa em que realidade está, a única coisa que interessa pra ele é ser feliz revendo suas crianças. O subconsciente já não quer mais saber se aquilo é um sonho ou se é a realidade, o presente e o sentir têm mais valor do que qualquer percepção de plano quer seja real ou imaginário. Não percebi isso na hora, mas agora de certa forma faz sentido não faz?

ATENÇÃO FIM DO SPOILER – a partir daqui pode ler sem medo...

O filme veio suprir a falta de criatividade do cinema atual, utilizando um dos temas mais antigos e complexos do mundo e aliando a tecnologia sem exagerar. Extremamente divertido e bem elaborado, um elenco competente com luz própria, e efeitos especiais que não abusam da boa vontade do espectador.

Christopher Nolan criou um mundo inteiro de sonhos e o destruiu na mesma proporção com imagens incríveis, o final dúbio só caracteriza ainda mais a genialidade deste diretor. A Origem estreou em 16 de julho de 2010 liderando a bilheteria americana e gerando mais de 500 milhões de dólares até o momento deste artigo.

Altamente recomendado a todos os tipos de pessoas e gosto, é certeza de uma experiência incrível e de uma viagem fantástica ao mundo maravilhoso de Nolan. Não perca tempo e garanta seu lugar no cinema. Espere o DVD apenas para ver pela segunda vez e confirmar ou derrubar suas teorias. Apesar de considerar o filme sensacional e realmente o melhor do ano, não me empolgo a ponto de considerar melhor da década, mas sem sombra de dúvidas deixará sua marca na história do cinema.

Qual é o parasita mais resistente? Uma idéia. Uma simples idéia da mente humana pode construir cidades. Uma idéia pode transformar o mundo e reescrever as regras.

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